Parágrafo pessoal/crítico sobre discussões IA em aula
Assim como explicar o funcionamento das IA's e suas limitações, a própria ideia de discutir o assunto é confusa. Isso é possível de ser observado quando a esmagadora maioria dos textos e reflexões acerca da IA focam nos vieses seguro/perigoso, fascinação/medo. De fato, o que não percebemos é que, apesar de ser um alívio entender as problemáticas que impedem que sejamos substituídos - como seres dotados de consciência e valores morais - existe uma ironia ao dedicarmos tantos esforços a essa discussão. Se o objetivo é não ser superado, mencionar incansavelmente empresas responsáveis pela criação e desenvolvimento de IA's, fazendo suas ações ascenderem e seu capital acumular certamente não é o caminho ideal. Apesar de estar ciente dos perigos que traçam a evolução dessas tecnologias, acredito que seja possível extrair bons resultados de seu uso, ainda que a ideia de bom e ruim seja intrinsecamente subjetiva. Nesse sentido, gostaria de citar uma matéria que li recentemente, que abordava a felicidade de uma mulher que pôde "voltar a falar" ao ter zonas do seu cérebro associadas a um computador que traduzia seus impulsos nervosos em eletricidade e posteriormente em texto e áudio. É incrível sonhar com as capacidades futuras de inclusão que podem surgir a partir desse estudo. No entanto, como apresentado em O dilema das redes, o uso da IA é majoritariamente voltado a um pequeno grupo de indivíduos que apresentam um ponto em comum: a obtenção de lucro. Ao perceber que os anúncios deixam de ser os produtos e o somos nós, usuários, é possível entender o perigo do desenvolvimento dessas tecnologias. Não no sentido de elas serem nocivas, mas do imenso poder concentrado nas mãos de quem as possuírem. Nesse contexto, Animação Cultural, de Vilém Flusser, faz fronteira com a realidade, de modo que a tentativa de erradicar a cultura é objetivo de seres humanos, que não aparentam preocupar-se com as consequências de seus projetos.
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