Parágrafo "Dialógico": Animação Cultural
Animação Cultural - Vilém Flusser
O texto de Flusser trabalha com a ironia da humanização de um objeto inanimado, uma mesa redonda que defende a superioridade dos objetos, que se justifica de maneira irrefutável em sua posição como presidente do debate. Suas funções físicas - práticas, como estrutura que suporta objetos - e sociais, no âmbito de expressar equidade entre as partes sentadas ao seu redor, sustentam sua reivindicação. Por outro lado, essa humanização sensibiliza o leitor, fazendo-o refletir sobre o que é proposto no "manifesto da objetividade", redigido pelo autor. Nesse sentido, os objetos assumem papel de dominantes sobre a população humana, visto que são os responsáveis pela vida cotidiana observada atualmente. Desde os primórdios das sociedades ao cenário recente, eles são os facilitadores da vida comum, como calendários, que desestimulam seus usuários a gravarem datas e comemorações, ou agendas telefônicas que agem de maneira semelhante em relação aos números de contatos. Nesse cenário, a ideia de que tudo é um subproduto confirma a discussão em torno da ameaça que os objetos apresentam a sociedade humana, visto que, por meio de inteligências artificiais, é possível gerar imagens, textos, músicas, dentre outras expressões artísticas ou funcionais, através de um rico banco de dados que compõe o aprendizado da máquina. Tal ideia é sustentada pelo trecho: "a desvalorização da cultura é nossa tarefa suprema." Desse modo, a substituição da mão de obra humana, com suas limitações físicas e psicológicas, pelas máquinas e computadores, isentos, até certo ponto, de sobrecargas, pode ser considerada como o primeiro passo do objeto sobre o homem para desqualificar nossos valores e, enfim, dominar-nos por completo. Afinal, tais processos de substituição e realocação do trabalho humano acontece em todo o decorrer da história da sociedade.
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